Casa da Bomba, Bom Retiro. 1ª Usina Hidrelétrica que fornecia energia para Lagoa Dourada -1926.
Casa da Bomba, Bom Retiro. 1ª Usina Hidrelétrica que fornecia energia para Lagoa Dourada -1926.
Inauguração da usina hidrelétrica do Bom Retiro, Lagoa Dourada – 1926.
(da esquerda para a direita) Armínio José de Resende, Dr. Ludgero Ferreira Lopes, Padre Solindo José da Cunha, Dr. Nativo de Paula Ferreira (engenheiro), Joaquim José de Resende, Timótheo Barreto de Faria (sentado, à frente) João Evangelista da Silva (Ganjão).
A história da infraestrutura de Lagoa Dourada é marcada por um divisor de águas: o ano de 1926. Mais do que a simples chegada da eletricidade, a inauguração da Usina Municipal representou a união entre a visão técnica, o poder político e o apoio religioso, estabelecendo as bases para o progresso que os jornais O Aurífero e A Cruzada documentariam na década seguinte.
Em um esforço conjunto para retirar a "Villa" da penumbra dos candeeiros a querosene, a usina foi entregue à população com a presença das figuras mais proeminentes da época. Este grupo não apenas inaugurou uma obra de engenharia, mas traçou o destino econômico do município.
Os Protagonistas da Luz:
Dr. Nativo de Paula Ferreira: O engenheiro responsável por transformar o potencial hídrico da região em energia.
Dr. Ludgero Ferreira Lopes: Um dos maiores entusiastas do projeto, que mais tarde consolidaria sua liderança como Presidente do Banco Comercial e Agrícola.
Padre Solindo José da Cunha: Representando a fé, sua presença simbolizava a benção à modernidade que iluminaria, inclusive, a Matriz de Santo Antônio.
Lideranças Civis: Armínio José de Resende, Joaquim José de Resende, Timótheo Barreto de Faria e João Evangelista da Silva (o popular "Ganjão").
A semente plantada em 1926 floresceu em uma estrutura administrativa sólida. Nos orçamentos municipais de 1934 e 1939, sob a gestão do prefeito Ernesto Resende, o serviço de Força e Luz já aparecia como uma das principais fontes de receita e investimento da prefeitura.
Independência Econômica: A "Taxa de Força e Luz" permitia ao município financiar outras frentes, como a conservação da Rodovia Lagoa–Carandaí e a manutenção de professores rurais.
Símbolo de Autonomia: Em meio a disputas territoriais e políticas com a vizinha Prados, possuir uma usina e rede elétrica própria era o maior argumento de Lagoa Dourada para pleitear sua emancipação judiciária e o status de sede de comarca.
Ao analisarmos os documentos, percebemos que a infraestrutura de Lagoa Dourada foi construída por linhagens de trabalho. Os mesmos nomes que aparecem na foto da usina em 1926 são os que figuram nas colunas sociais de 1933 e nos balancetes de 1939, mostrando que a modernização da cidade foi um projeto contínuo, passado de geração em geração, unindo o progresso material à preservação das tradições.