O patrimônio arquitetônico e artístico das Minas Gerais constitui um dos mais densos e significativos testemunhos da ocupação territorial e da vida religiosa no Brasil colonial e imperial. No coração da região do Campo das Vertentes, o município de Lagoa Dourada abriga um monumento que, embora compartilhe a invocação com grandes santuários de renome mundial, guarda uma trajetória singular de resiliência, fé e redescoberta acadêmica: a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Este relatório técnico e histórico propõe uma análise exaustiva da referida edificação, abordando desde suas raízes setecentistas até os recentes processos de restauração que revelaram a existência de um artífice anônimo de importância fundamental para a arte sacra mineira.
A trajetória desta igreja não é linear; ela é marcada por episódios de destruição traumática, reconstrução arquitetônica e uma contínua renovação do sentimento comunitário. Ao contrário de outros templos que preservam sua integridade física original, a Igreja do Bom Jesus de Lagoa Dourada é um palimpsesto de intervenções que refletem as mudanças econômicas e os desafios de preservação enfrentados pelas pequenas comunidades do interior mineiro.1
A história da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos está intrinsecamente ligada à fundação do próprio arraial que deu origem à cidade. O povoamento da região iniciou-se nas primeiras décadas do século XVIII, quando bandeiras exploradoras, como a de Oliveira Leitão, descobriram jazidas de ouro de aluvião em uma pequena lagoa local.3 A abundância do metal precioso refletido nas águas valeu ao local o nome de "Alagoa Dourada", designação que posteriormente se consolidaria como Lagoa Dourada.
O desenvolvimento urbano do arraial seguiu o padrão típico das cidades mineradoras: as habitações foram subindo as encostas a partir da lagoa original, e a vida social passou a gravitar em torno das atividades das irmandades e confrarias. Em 1717, a região já se apresentava bem povoada, e a necessidade de espaços sagrados para o cumprimento dos preceitos religiosos tornou-se premente.3 Enquanto a Igreja Matriz de Santo Antônio ocupava o centro administrativo e religioso do arraial, a Capela do Senhor Bom Jesus de Matosinhos surgiu em um local de destaque topográfico, em consonância com a tradição de erigir santuários dedicados ao Cristo sofredor em colinas que evocassem o Monte Calvário.3
De acordo com registros históricos e análises da Chorographia do Município de Diamantina, a edificação primitiva teria sido construída entre a última década do século XVIII e a primeira do século XIX.1 Esse período coincide com o amadurecimento das artes plásticas em Minas Gerais, quando o estilo Barroco dava lugar ao Rococó, mais leve e ornamentado, e quando as oficinas de escultores e entalhadores atingiam o seu apogeu técnico e estético.
Cronologia de Desenvolvimento
Período / Data
Evento Relevante
Início do Povoamento
Cerca de 1717
Descoberta de ouro na lagoa e formação do arraial.3
Fundação da Freguesia
1734
Criação da Capela de Santo Antônio por Dom Frei Antônio de Guadalupe.5
Construção Primitiva
1790 - 1810
Ereção da primeira Capela do Bom Jesus de Matosinhos.1
Elevação à Paróquia
14 de julho de 1832
Consolidação administrativa da Paróquia de Santo Antônio.5
Emancipação Política
1911
Lagoa Dourada torna-se município independente de Prados.3
A compreensão da relevância desta igreja exige uma incursão na genealogia da própria devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Esta tradição remonta a Portugal, especificamente à cidade de Matosinhos, próxima ao Porto. Segundo a lenda, uma imagem de Jesus crucificado, esculpida por Nicodemos (testemunha ocular da Paixão), teria sido lançada ao mar e aportado milagrosamente na Praia de Espinheiro no ano de 124.6
A transposição dessa devoção para o Brasil acompanhou os fluxos migratórios de portugueses do norte, que trouxeram consigo a fé no "Cristo de Matosinhos". Em Minas Gerais, essa devoção encontrou um terreno fértil devido à identificação da população mineradora com a figura do Cristo sofredor e resiliente. O modelo arquitetônico e devocional mais influente na colônia foi o Santuário de Congonhas do Campo, iniciado em 1757 por Feliciano Mendes, que buscou replicar os "sacro montes" europeus como o Bom Jesus do Monte em Braga.8
Em Lagoa Dourada, a implantação da capela seguiu este modelo cenográfico. A igreja localiza-se no topo de uma elevação, e o trajeto de ascensão até o templo funciona como uma metáfora da Via Crucis.4 Embora de proporções menores se comparada à basílica de Congonhas, a igreja de Lagoa Dourada cumpre a mesma função de pórtico para a experiência do sagrado, integrando arquitetura e paisagem de forma a induzir o fiel à contemplação e à penitência.
Diferente de outros templos mineiros que mantêm sua estrutura física original desde o século XVIII, a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos de Lagoa Dourada passou por um processo de destruição e renascimento que define sua fisionomia atual. No ano de 1905, um episódio de vandalismo resultou na destruição da antiga capela original.2 Este evento foi uma perda irreparável para o patrimônio material do município, uma vez que a estrutura colonial, com suas possíveis talhas setecentistas e pinturas em perspectiva, foi severamente comprometida ou eliminada.
Após esse desastre, uma nova estrutura foi tentada, mas problemas graves de execução técnica levaram a construção ao colapso. A nova igreja, mal construída, começou a apresentar rachaduras e riscos estruturais, o que forçou o seu fechamento por ordem das autoridades eclesiásticas e civis.4 Esta fase de instabilidade reflete os desafios enfrentados por muitas comunidades mineiras no início do século XX: a transição entre as técnicas construtivas tradicionais (como a taipa e o adobe) e os novos materiais, muitas vezes sem a devida perícia técnica para garantir a solidez de grandes vãos e torres.
A superação do trauma de 1905 e da falha estrutural subsequente ocorreu em 30 de maio de 1911, com o início de uma nova construção sob a égide do empreiteiro Augusto Buzatti.2 Buzatti foi responsável por conferir à igreja a volumetria e a estabilidade que observamos hoje. A arquitetura deste período, embora busque referências na tradição religiosa mineira, já incorpora uma linguagem mais eclética, típica do início do período republicano, mas mantendo a sobriedade necessária a um templo de peregrinação.
A fachada atual apresenta uma composição simples e equilibrada, com torres sineiras que flanqueiam o corpo central. A localização estratégica no alto do morro foi mantida, preservando a relação de visibilidade e ascendência sobre o arraial.4 Esta reconstrução foi um marco para a comunidade de Lagoa Dourada, simbolizando a recuperação da dignidade devocional após anos de templo fechado ou em ruínas.
Um dos aspectos mais fascinantes e academicamente relevantes da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos não reside apenas em sua arquitetura, mas no acervo de imaginária sacra que ela abriga. Por décadas, a autoria das imagens do retábulo-mor e de outras peças da paróquia permaneceu envolta em anonimato. Foi apenas no início do século XXI que pesquisas sistemáticas revelaram a existência de um artífice singular, batizado por especialistas como o "Mestre de Lagoa Dourada".10
A identificação deste mestre foi fruto do trabalho do restaurador e pesquisador Carlos Magno de Araújo. Ao realizar intervenções de manutenção e restauro na imaginária de Lagoa Dourada, Araújo percebeu que um grupo significativo de peças apresentava características estilísticas recorrentes e uma técnica de escultura muito específica, que se distanciava do estilo dos mestres mais conhecidos da região, como Aleijadinho ou Francisco de Lima Cerqueira.10
A investigação revelou que este "Mestre" atuou provavelmente na primeira metade do século XVIII, e que suas obras possuem uma qualidade técnica excepcional, muitas vezes escondida sob camadas de repintura acumuladas ao longo de séculos.10 Através de sondagens estratigráficas e análises formais, foi possível agrupar um conjunto de esculturas que compartilham o mesmo "DNA" artístico, sendo a Igreja de Bom Jesus de Matosinhos o local que abriga sua maior e mais importante obra: o conjunto do retábulo-mor e as imagens de vulto.10
O estilo do Mestre de Lagoa Dourada é caracterizado por um tratamento vigoroso da madeira, com proporções equilibradas e uma expressividade que busca a empatia imediata do devoto. Diferente da dramaticidade exacerbada do barroco tardio, suas peças parecem possuir uma serenidade contida, típica de uma fase mais precoce da arte mineira ou de uma interpretação regional única.10
Além da igreja do Bom Jesus, traços deste artista foram identificados em outras localidades do Campo das Vertentes e arredores, o que sugere que ele foi um artífice itinerante de grande prestígio em sua época.
Localização de Obras Atribuídas
Tipo de Peça
Contexto Artístico
Igreja do Bom Jesus (Lagoa Dourada)
Retábulo e Imagens de Vulto
Obra-prima e maior conjunto preservado.10
Matriz de Santo Antônio (Lagoa Dourada)
N.S. do Carmo (retábulo lateral)
Integração com a imaginária paroquial.11
São Miguel do Cajuru (São João del-Rei)
Imaginária Variada
Agrupamento estilístico identificado por Araújo.12
Outros Municípios (Prados, Resende Costa)
Esculturas de Altar
Evidência de atuação regional no século XVIII.12
Esta descoberta é de suma importância para a história da arte brasileira, pois desafia a visão de que a arte colonial mineira era centrada apenas em poucos nomes famosos. Ela revela a existência de "escolas" regionais e de mestres talentosos que, apesar do anonimato documental, deixaram uma marca indelével na paisagem cultural do estado.13
A Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos não deve ser analisada como um objeto isolado, mas como parte de um complexo devocional que inclui o seu entorno imediato. Um dos elementos mais distintivos de sua implantação são as muretas de tijolinhos que acompanham a subida para o templo.2
Diferente do Santuário de Congonhas, onde os Passos da Paixão são abrigados em capelas autônomas de pedra e cal 8, em Lagoa Dourada eles foram concebidos de forma mais integrada ao percurso de pedestres. Aplicados em muretas graciosas, os painéis que representam os passos da Via Sacra criam uma narrativa visual que prepara o fiel para o encontro com a imagem principal do Bom Jesus no altar-mor.2
Essa solução arquitetônica, revitalizada em intervenções recentes (março de 2024), demonstra uma adaptação inteligente do modelo de peregrinação às proporções e recursos da cidade. O uso do tijolo aparente nas muretas confere um aspecto rústico e acolhedor, contrastando com a brancura das paredes da igreja e integrando-se organicamente à paisagem urbana da colina.2
O interior da igreja, embora reformulado na reconstrução de 1911, preserva o núcleo sagrado que motivou o seu tombamento pelo Estado de Minas Gerais em 1977.1 O decreto n.° 18.531 reconheceu não apenas a importância da edificação, mas especificamente a sua "imaginária", destacando-se as seguintes peças de valor inestimável:
Senhor Bom Jesus: A imagem titular, foco das romarias e da devoção local.
Nossa Senhora do Rosário: Representação da proteção mariana e da forte presença desta devoção nas irmandades mineiras.
Sant'Ana: A representação da avó de Jesus, central na religiosidade familiar e educativa do período colonial.
Crucifixos Laterais: Dois crucifixos pertencentes aos altares laterais, exemplares da talha fina e da policromia realista.1
O retábulo-mor, identificado como obra do Mestre de Lagoa Dourada, serve como o trono para estas imagens. A restauração concluída no final de 2023 foi vital para reverter processos de degradação estrutural no trono do altar, que sofria com infiltrações e ataques de xilófagos.10
A preservação da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos é garantida por uma rede de proteção legal que envolve as esferas estadual e municipal. Esse suporte é fundamental para a captação de recursos e para a orientação técnica de intervenções.
Em 2 de junho de 1977, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) oficializou o tombamento da igreja e de seu acervo imaginário, inscrevendo-os no Livro de Tombo n.° II de Belas Artes.1 Este reconhecimento estadual coloca o templo em um patamar de importância que transcende os limites do município, integrando-o ao conjunto de bens que definem a identidade cultural mineira.
No âmbito municipal, a igreja é protegida pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Lagoa Dourada. O município mantém um inventário atualizado de seus bens culturais, com atas e documentos que registram o acompanhamento constante do estado de conservação do templo.14 Essa gestão local é crucial, pois permite uma resposta rápida a problemas cotidianos e mantém a comunidade engajada na proteção de seu patrimônio.
Recentemente, a igreja passou por um processo significativo de reforma e restauração, sendo reaberta ao público no final de 2023.2 Esta intervenção não foi apenas estética, mas estrutural, visando sanar problemas que ameaçavam a integridade do edifício e de suas obras de arte. A revitalização do espaço em março de 2024, incluindo as muretas da Via Sacra, devolveu à cidade um de seus pontos turísticos e religiosos mais emblemáticos.2
A restauração foi acompanhada por iniciativas de educação patrimonial, como a exposição "Por Suas Chagas Fomos Curados", que buscou aproximar a população da história da devoção e do valor artístico das peças restauradas.2 Tais ações são estratégicas para garantir que o patrimônio seja percebido não como algo "velho", mas como uma herança viva que define o pertencimento da comunidade.
A Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos não é apenas um depósito de arte sacra; ela é o epicentro de manifestações de fé que moldam o calendário social de Lagoa Dourada. A maior destas expressões é, sem dúvida, o Jubileu.
A celebração do Jubileu em honra ao Senhor Bom Jesus é uma tradição secular em Minas Gerais. Em cidades como Congonhas e Conceição do Mato Dentro, estas festas ocorrem desde o século XVIII, atraindo milhares de romeiros que buscam indulgências e cura espiritual.15 Em Lagoa Dourada, a festa do Bom Jesus de Matosinhos mantém o caráter de uma grande romaria regional.
O Jubileu caracteriza-se por uma intensa programação religiosa, que inclui novenas, missas diárias, confissões e procissões solenes. Socialmente, o evento transforma a cidade, com a instalação de barracas, comércio ambulante e um fluxo turístico que movimenta a economia local.17 É um momento em que a identidade de "cidade religiosa" se manifesta de forma mais pujante, reforçando os laços entre a paróquia e a sociedade civil.
A igreja integra a Paróquia de Santo Antônio, que administra a vida eclesial de Lagoa Dourada. Embora a Matriz de Santo Antônio seja o centro das principais funções administrativas, a Igreja do Bom Jesus mantém uma agenda própria que atende aos devotos e visitantes.
Horários e Atividades
Frequência / Dia
Observações
Santa Missa
Terças-feiras, 19:00hrs
Celebração regular no templo do Bom Jesus.5
Visitação
Mediante agendamento
Acesso cultural e religioso sob consulta.4
Eventos Religiosos
Datas festivas e Jubileu
Celebrações, procissões e casamentos.4
Exposição de Arte Sacra
Ocasional
Iniciativas como a "Por Suas Chagas Fomos Curados".2
A presença constante de figuras como o Monsenhor José Hugo de Resende Maia, com décadas de atuação na paróquia, garante a continuidade das tradições e a correta manutenção dos espaços sagrados.5 A vida comunitária em torno da igreja é um exemplo de como o patrimônio material e o imaterial se retroalimentam: as paredes da igreja protegem as imagens, enquanto a fé da comunidade protege a existência da própria igreja.
Para situar a igreja de Lagoa Dourada no panorama mais amplo, é útil compará-la com outros centros de devoção ao Bom Jesus mencionados na literatura técnica. Esta comparação ajuda a entender o que é único em Lagoa Dourada e o que é compartilhado pela tradição mineira.
O Santuário de Congonhas representa o ápice do Barroco, com o adro dos 12 profetas em pedra-sabão e as 66 esculturas de Aleijadinho nas capelas dos passos.8 Já a Paróquia de Matosinhos em São João del-Rei, embora tenha origens em 1774, possui uma igreja matriz moderna, inaugurada em 1980, após a demolição da pequena capela colonial original que estava em situação crítica.6
Lagoa Dourada ocupa um lugar intermediário e singular: possui uma estrutura arquitetônica do início do século XX (reconstrução de 1911), mas preserva um retábulo e imagens do século XVIII de um mestre anônimo redescoberto.2 Diferente de São João del-Rei, que optou por uma nova matriz monumental, Lagoa Dourada manteve a escala e a localização da capela histórica, realizando uma reconstrução que hoje já se tornou, ela mesma, patrimônio histórico.
Apesar dos sucessos recentes em termos de restauração e reconhecimento artístico, a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos enfrenta desafios contínuos. A conservação de monumentos históricos em Minas Gerais é uma batalha constante contra o tempo e os elementos naturais.
Conforme apontado em dossiês de tombamento de monumentos similares, a precariedade de materiais originais (madeira e barro) e o alto índice de chuvas na região exigem manutenção preventiva rigorosa.20 Em Lagoa Dourada, a substituição de estruturas na reconstrução de 1911 mitigou alguns destes problemas, mas a preservação do retábulo-mor de madeira setecentista continua sendo a maior preocupação técnica, exigindo controle de umidade e proteção contra pragas.10
O futuro da igreja está intimamente ligado à sua capacidade de se inserir nos circuitos turísticos do estado. Lagoa Dourada já é nacionalmente famosa por sua gastronomia, especialmente o rocambole.4 A estratégia de associar o turismo gastronômico ao patrimônio histórico-religioso é vital. A revitalização do complexo do Bom Jesus pode transformar o local em um ponto de parada obrigatória na Estrada Real e no Circuito Trilha dos Inconfidentes.
A reabertura do templo no final de 2023 com uma infraestrutura renovada permite que a igreja acolha não apenas fiéis, mas também o "turista cultural" interessado na história da arte mineira e na obra do Mestre de Lagoa Dourada.2 A transformação do templo em um "museu vivo" é a melhor forma de garantir os recursos necessários para a sua manutenção a longo prazo.
A pesquisa minuciosa sobre a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos de Lagoa Dourada revela um monumento de complexidade ímpar. O que à primeira vista poderia parecer apenas mais uma capela colonial, revela-se, sob um olhar técnico e histórico, como um repositório de memórias resilientes e de arte excepcional.
A trajetória da igreja — da glória aurífera inicial, passando pela destruição traumática de 1905, a reconstrução sólida de 1911 por Augusto Buzatti, até a revelação acadêmica do Mestre de Lagoa Dourada no século XXI — é um resumo da própria história de Minas Gerais: uma mistura de fé inabalável, desafios materiais e uma busca incessante por preservar a beleza e a transcendência.
A proteção conferida pelo IEPHA/MG e a gestão ativa da Paróquia de Santo Antônio e do município são os pilares que sustentam este bem cultural. O reconhecimento da obra do Mestre de Lagoa Dourada não apenas eleva o status artístico da igreja, mas também confere à cidade uma nova camada de identidade cultural, descentralizando a história da arte mineira e valorizando os artífices regionais.
Portanto, a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos permanece no alto de sua colina como um farol de fé e cultura. Seja através dos passos da Via Sacra marcados nas muretas de tijolo, ou da expressividade das imagens esculpidas há quase trezentos anos, o templo convida à reflexão sobre a permanência do sagrado e a responsabilidade coletiva de proteger o que o passado nos legou. A continuidade das ações de restauração, a promoção do Jubileu e a inserção da igreja nos roteiros de turismo sustentável são os caminhos necessários para que este patrimônio continue a inspirar e a acolher as gerações futuras.
Referências citadas
Bens Tombados: Capela de Nosso Senhor Bom Jesus de Matozinhos - Couto de Magalhães de Minas - IEPHA, acessado em dezembro 17, 2025, https://www.iepha.mg.gov.br/index.php/programas-e-acoes/patrimonio-cultural-protegido/bens-tombados/details/1/69/bens-tombados-capela-de-nosso-senhor-bom-jesus-de-matozinhos
Paróquia de Lagoa Dourada realiza exposição sobre devoção ao Bom Jesus | Diocese de São João del Rei, acessado em dezembro 17, 2025, https://diocesedesaojoaodelrei.com.br/paroquia-de-lagoa-dourada-realiza-exposicao-sobre-devocao-ao-bom-jesus/
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Jubileu de Matosinhos tem início nesta sexta-feira, 05 de setembro, acessado em dezembro 17, 2025, https://diocesedesaojoaodelrei.com.br/jubileu-de-matosinhos-tem-inicio-na-sexta-feira-05-de-setembro/
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Jubileu do Bom Jesus movimenta fiéis e economia no bairro de Matosinhos, acessado em dezembro 17, 2025, https://emboabas.com/2025/09/04/jubileu-do-bom-jesus-movimenta-fieis-e-economia-no-bairro-de-matosinhos/
Eventos: JUBILEU DO SENHOR BOM JESUS DE MATOZINHOS DE CONGONHAS/MG, acessado em dezembro 17, 2025, https://minasgerais.com.br/pt/eventos/congonhas/jubileu-do-senhor-bom-jesus-de-matozinhos-de-congonhasmg
Paróquia de Matosinhos festeja Padroeiro e celebra 250 anos de devoção | Diocese de São João del Rei, acessado em dezembro 17, 2025, https://diocesedesaojoaodelrei.com.br/paroquia-de-matosinhos-festeja-padroeiro-e-celebra-250-anos-de-devocao/
Sítios históricos e conjuntos urbanos de monumentos nacionais - IPHAN, acessado em dezembro 17, 2025, http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/CadTec4_SitiosHistoricos_m.pdf
CAPITAL DA FÉ! Jubileu de Congonhas celebra 243 anos de fé e devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos - Correio de Minas, acessado em dezembro 17, 2025, https://correiodeminas.com.br/2024/09/06/capital-da-fe-jubileu-de-congonhas-celebra-243-anos-de-fe-e-devocao-ao-senhor-bom-jesus-de-matosinhos/