Da esquerda para direita: desconhecido, desconhecido, José Barreto de Faria (Zeca Faria), Gilberto Vieira de Resende e Ernesto Resende
Este Banco funcionava onde era a Loja da Tidinha. Atualmente o prédio é fechado.
A estrutura de administração e governança do Banco Popular, Agrícola e Industrial de Lagoa Dourada, conforme detalhada no relatório apresentado em abril de 1932, era composta pelas seguintes lideranças:
Responsável pela gestão operacional e estratégica da instituição:
Presidente: Pe. Solindo José da Cunha.
Secretário: Dr. Ludgero Ferreira Lopes.
Gerente: Julio Rodrigues Chaves.
Membros consultivos que auxiliavam nas decisões da diretoria:
Cel. Joaquim Rodrigues de Resende.
Capitão Octacilio Ribeiro de Resende.
Capitão Eliezer Ferreira de Resende.
Órgão responsável pela fiscalização das contas e transparência financeira:
Dr. José Barreto Pereira.
Capitão Evaristo R. Resende Chaves.
Capitão Jesus Maria José.
Disponíveis para assumir funções em caso de vacância ou impedimento:
Dr. José Faria.
Capitão Agenor Resende.
A composição da governança reflete a forte influência das famílias tradicionais da região (como os Resende) e do clero local (representado pelo Pe. Solindo José da Cunha) na condução econômica de Lagoa Dourada na década de 1930.
O Banco Popular de Lagoa Dourada foi estabelecido como uma instituição estratégica, fundada com o objetivo exclusivo de favorecer e dar suporte às classes industriais e agrícolas do município. Sua criação é citada como um dos "melhoramentos admiráveis" alcançados pela população, evidenciando uma comunidade de "resoluções impávidas" que buscava o progresso material e moral, muitas vezes suprindo a ausência de auxílio dos poderes públicos.
O banco surgiu em uma fase de grande efervescência econômica para Lagoa Dourada. Com a chegada da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) e a transição da mineração para a agropecuária (especialmente milho e leite), a elite local viu a necessidade de uma estrutura de crédito que não dependesse exclusivamente de São João del-Rei ou Tiradentes.
O banco operava em uma cidade que se consolidava como um polo de relevância em Minas Gerais:
Indústria de Ponta: O município já contava com várias fábricas de laticínios, cujos produtos gozavam de fama nacional pela sua qualidade superior.
Infraestrutura Urbana: A sede possuía uma usina de "Força e Luz" própria, avaliada em quase 100:000$000, além de uma rede de transporte que incluía rodovias macadamizadas ligando a cidade à estrada Rio-Belo Horizonte e à Estação de Pedra do Sino.
Serviços e Comércio: A estrutura urbana era robusta para o período, contando com mais de 300 casas de morada, diversos estabelecimentos comerciais, dois hotéis, farmácias e serviços médicos e odontológicos.
A importância do Banco Popular estava inserida em uma sociedade que prezava pelo "cultivo intelectual". O documento destaca:
Educação: A existência de instituições como o Grupo Escolar "Dr. Abeilard", o Colégio Santo Antônio e o Cinema Paroquial.
Demografia: O município totalizava 8.500 habitantes, sendo 2.800 na sede, com um corpo eleitoral de 1.200 cidadãos.
Tradição: A Paróquia de Santo Antônio, prestes a celebrar seu centenário em 1932, era o centro religioso e social, servindo de base para a elevação de Lagoa Dourada à categoria de município em 1911.
Diferente dos grandes bancos estaduais da época, o Banco Popular de Lagoa Dourada tinha um foco comunitário e setorial:
Crédito Agrícola: Financiamento para produtores rurais locais, facilitando a compra de sementes e equipamentos em uma época em que o agronegócio começava a se mecanizar.
Fomento Industrial: Apoio a pequenas indústrias que surgiam na cidade, como as ligadas ao beneficiamento de produtos agrícolas.
Fortalecimento Político: A criação de um banco próprio era um símbolo de autonomia das famílias fundadoras da cidade, como os Resende, Oliveira e Pereira, consolidando o poder econômico local.
É comum encontrar referências a este banco em documentos de inventários e partilhas de grandes fazendeiros da região das Vertentes entre 1912 e 1930. Ele operava em uma rede de solidariedade financeira que era típica do interior mineiro antes da centralização bancária mais rígida do período Vargas.